Quieres callar?
Bobo, que tan poco sabe!

BOBO.

No diceis que ande y acabe?
Ando, y no quiero acabar.

ACTO TERCEIRO.

SCENA I.

Florimena, pastora, com hum pote que vai á fonte.

FLORIMENA.

Por este formoso prado
Tudo quanto a vista alcança
Tão alegre está tornado,
Que a qualquer desesperado
Póde dar certa esperança.
O monte, e sua aspereza,
De flores se veste ledo;
Reverdece o arvoredo,
Somente em minha tristeza
Está sempre o tempo quedo.
Junto desta fonte pura,
Segundo a muitos ouvi,
D'altos parentes nasci:
Foi como quiz a Ventura, [{439}]
Mas não como eu mereci.
O dia que fui nascida,
Minha mãe do parto forte
Foi sem cura fallecida;
E o dia que me deo vida
Lhe dei eu a ella a morte.
Do mesmo parto nasceo
Meu irmão, que entre os cabritos
Comigo tambem viveo;
Mas, assi como cresceo,
Crescêrão nelle os espritos.
Foi-se buscar a cidade;
Teve juizo e saber;
Eu fiquei, como mulher,
E não tive faculdade
Para poder mais valer.
A hum pastor obedeço
Por pae, que d'outro não sei;
E, pola mãe que matei,
A huma cabra conheço,
De cujo leite mamei.
Mas porém, ja qu'este monte
Me obriga e meu nascimento,
Quero, pois quer meu tormento,
Encher a talha na fonte
Que co'os olhos accrescento.

Finge que enche a talha. [{440}]

SCENA II.