PORTEIRO.

Nunca huma pessoa tem
Hum'hora para fallar!

Entra o Principe com o seu Pagem Leocadio e diz:

PRINCIPE.

Seja a morte apercebida, [{276}]
Porque ja o Amor ordena
A dar a meu mal sahida;
Porque o fim da minha vida
O seja da minha pena.
Não tarde, para tomar
Vingança de meu querer,
Pois não se póde dizer
Que não tẽe ja que esperar,
Nem com que satisfazer?
Os Physicos vem e vão,
Sem saberem minhas mágoas,
Nem o pulso me acharão;
E se o querem ver nas ágoas,
As dos olhos lho dirão.
Se com sangrias tambem
Procurão ver-me curado;
O temor de meu cuidado
O mais do sangue me tem
Nas veias todo coalhado.
Quero-me aqui encostar,
Que ja o esprito me cae.
Leocadio, vae-me chamar
Os Musicos de meu Pae;
Folgarei de ouvir cantar.

Aqui se deita, como que repousa e falla dizendo assi:

PRINCIPE.

Senhora, qual desatino
Me trouxe a tanta tristura?
Foi, Senhora, por ventura [{277}]
A fôrça do meu destino,
Como vossa formosura?
Bem conheço que não posso
Ter tão alto pensamento;
Mas disto só me contento,
Que se paga com ser vosso
O mor mal de meu tormento.

Entrão os Musicos, e diz Alexandre da Fonseca, hum delles:

ALEXANDRE.