—Quem disse isso?
—O sobrinho, o tal sugeito que encontrei aqui hoje.
—Você está zombando commigo! Um homem na chacara?
—Não era bem na chacara, mas no jardim do Dr. Luiz Alves. Estava encostado á cerca; trocámos algumas palavras.
A baroneza olhou para ella alguns segundos.
—Mas, menina, isso não é bonito. Que diriam se os vissem?... Eu não diria nada, porque conheço o que você vale, e sei a discrição que Deus lhe deu.—Mas as apparencias....Que qualidade de homem é esse sobrinho?
Interrompeu-as uma mulher de quarenta e quatro a quarenta e cinco annos, alta e magra, cabello entre louro e branco, olhos azues, aceiadamente vestida, a Sra. Oswald,—ou mais britannicamente, Mrs. Oswald,—dama de companhia da baroneza, desde alguns annos. Mrs. Oswald conhecêra a baroneza em 1846; viuva e sem familia, acceitou as prospostas que esta lhe fez. Era mulher intelligente e sagaz, dotada de boa indole e serviçal. Antes da ida de Guiomar para a companhia da madrinha, era Mrs. Oswald a alma da casa; a presença de Guiomar, que a baroneza amava extremosamente, alterou um pouco a situação.
—São nove horas! disse de longe a ingleza; pensei que hoje não queriam voltar para casa. O calor está forte; e a senhora baroneza sabe que não é conveniente expor-se aos ardores do sol, sobretudo neste tempo de epidemias.
—Tem razão, Mrs. Oswald; mas Guiomar tardou hoje tanto em ir buscar-me, que o passeio começou tarde.
—Porque me não mandou chamar?