Jorge veiu interrompel-as um pouco, mas só interromper, porque a leitura continuou logo depois, ajudando elle proprio a Guiomar naquella filial tarefa. Veiu o chá, veiu depois a hora de recolher, e a baroneza deu por findo o serão, ainda que o livro estava quasi findo.

—Um capitulo mais, aventurou Jorge com o livro aberto nas mãos.

A baroneza sorriu e voltou os olhos para Guiomar, a cuja conta lançou aquella dedicação do sobrinho; recusou comtudo, por estar a cair de somno.

—Eu é que não me deito sem saber o resto, declarou Guiomar; levo o livro commigo.

—Ah! disse Jorge com um gesto de satisfação.

E emquanto Guiomar se dispunha a acompanhar a madrinha até á porta do quarto, e Mrs. Oswald marcava a pagina e fechava o seu livro, Jorge egualmente fechava o outro, mas com tal demora e cuidado, que deu muito que entender á ingleza. Se ella chegou entender, vel-o-hemos depois; o certo é que o livro foi emfim entregue a Guiomar, tendo a pagina marcada, não com a fita que lá estava pendente, mas com um pedacinho de papel.

O pedacinho de papel era a carta; apenas uns poucos centímetros de altura; mas por mais exiguas que tivesse as dimensões, bem podia ser que levasse alli dentro nada menos que uma tempestade próxima.


[X]

A revelação.