—Juro.

—Por Deus?

—Por Deus, por tudo. Juro que no fim de seis mezes estarei de volta.

—Mas se o papa não tiver ainda soltado a você?

—Mando dizer isso mesmo.

—E se você mentir?

Esta palavra doeu-me muito, e não achei logo que lhe replicasse. Capitú metteu o negocio á bulha, rindo e chamando-me disfarçado. Depois, declarou crer que eu cumpriria o juramento, mas ainda assim não consentiu logo; ia ver se não haveria outra cousa, e eu que visse tambem por meu lado.

Quando voltei ao seminario, contei tudo ao meu amigo Escobar, que me ouviu com egual attenção e acabou com a mesma tristeza da outra. Os olhos, de costume fugidios, quasi me comeram de contemplação. De repente, vi-lhe no rosto um clarão, um reflexo de ideia. E ouvi-lhe dizer com volubilidade:

—Não, Bentinho, não é preciso isso. Ha melhor,—não digo melhor, porque o Santo Padre vale sempre mais que tudo,—mas ha cousa que produz o mesmo effeito.

—Que é?