—Não se lembra que o senhor foi lá vel-a?

—Lembra-me; mas Escobar...

—Eu virei jantar com vocês, e ás noites sigo para Andarahy; oito dias, e está tudo passado. Bem se vê que você é pae de primeira viagem.

—Tambem você; onde está a segunda?

Usavamos então estas graças em familia. Hoje, que me recolhi á minha casmurrice, não sei se ainda ha tal linguagem, mas deve haver. Escobar cumpriu o que disse; jantava comnosco, e ia-se á noite. Sobre tarde desciamos á praia ou iamos ao Passeio Publico, fazendo elle os seus calculos, eu os meus sonhos. Eu via o meu filho medico, advogado, negociante, metti-o em varias universidades e bancos, e até acceitei a hypothese de ser poeta. A possibilidade de politico foi consultada, e cri que me saisse orador, e grande orador.

—Póde ser, redarguia Escobar; ninguem diria o que veiu a ser Desmosthenes.

Escobar acompanhava muita vez as minhas creancices; tambem interrogava o futuro. Chegou a falar da hypothese de casar o pequeno com a filha. A amizade existe; esteve toda nas mãos com que apertei as de Escobar, ao ouvir-lhe isto, e na total ausencia de palavras com que alli assignei o pacto; estas vieram depois, de atropelo, afinadas pelo coração, que batia com grande força. Acceitei a lembrança, e propuz que os encaminhassemos a este fim, pela educarão egual e commum, pela infancia unida e correcta.

Era minha ideia que Escobar fosse padrinho do pequeno; a madrinha devia ser e seria minha mãe. Mas a primeira parte se trocou por intervenção do tio Cosme, que, ao ver a creança, disse-lhe entre outros carinhos

—Anda, toma o benção a teu padrinho, velhaco.

E, voltando-se para mim: