—São bondades, retorquiu lisonjeado. São favores de pessoas dignas, que merecem tudo... Ahi está! nunca ninguem me ha de ouvir dizer nada de pessoas taes; porque? porque são illustres e virtuosas. Sua mãe é uma santa, seu tio é um cavalheiro perfeitissimo. Tenho conhecido familias distinctas; nenhuma poderá vencer a sua em nobreza de sentimentos. O talento que seu tio acha em mim confesso que o tenho, mas é só um,—é o talento de saber o que é bom e digno de admiração e de apreço.
—Ha de ter tambem o de proteger os amigos, como eu.
—Em que lhe posso valer, anjo do ceu? Não hei de dissuadir sua mãe de um projecto que é, além de promessa, a ambição e o sonho de longos annos. Quando pudesse, é tarde. Ainda hontem fez-me o favor de dizer: «José Dias, preciso metter Bentinho no seminario.»
Timidez não é tão ruim moeda, como parece. Se eu fosse destemido, é provavel que, com a indignação que experimentei, rompesse a chamar-lhe mentiroso, mas então seria preciso confessar-lhe que estivera á escuta, atraz da porta, e uma acção valia outra. Contentei-me de responder que não era tarde.
—Não é tarde, ainda é tempo, se o senhor quizer.
—Se eu quizer? Mas que outra cousa quero eu, senão servil-o? Que desejo, senão que seja feliz, como merece?
—Pois ainda é tempo. Olhe, não é por vadiação. Estou prompto para tudo; se ella quizer que eu estude leis, vou para S. Paulo...