—Está-me voltando a dôr do cabeça; vou botar uma rodella de limão nas fontes.

Fez o que disse, e atou o lenço outra vez na testa. Em seguida, acompanhou-me ao quintal para se despedir de mim; mas, ainda ahi nos detivemos por alguns minutos, sentados sobre a borda do poço. Ventava, o ceu estava coberto. Capitú falou novamente da nossa separação, como de um facto certo e definitivo, por mais que eu, receioso disso mesmo, buscasse agora razões para animal-a. Capitú, quando não falava, riscava no chão, com um pedaço de taquara, narizes e perfis. Desde que se mettera a desenhar, era uma das suas diversões; tudo lhe servia de papel e lapis. Como me lembrassem os nossos nomes abertos por ella no muro, quiz fazer o mesmo no chão, e pedi-lhe a taquara. Não me ouviu ou não me attendeu.


[XLIV]

O primeiro filho.

—Dê cá, deixe escrever uma cousa.

Capitú olhou para mim, mas de um modo que me fez lembrar a definição de José Dias, obliquo e dissimulado; levantou o olhar, sem levantar os olhos. A voz, um tanto sumida, perguntou-me:

—Diga-me uma cousa, mas fale verdade, não quero disfarce; ha de responder com o coração na mão.

—Que é? Diga.

—Se você tivesse de escolher entre mim e sua mãe, a quem é que escolhia?