—Bom tempo! suspirou elle.
E, após alguma reflexão, fitando em mim uns olhos murchos e teimosos, perguntou-me:
—Conservou o meu Panegyrico?
Não achei que dizer; tentei mover os beiços, mas não tinha palavra; afinal, perguntei:
—Panegyrico? Que panegyrico?
—O meu Panegyrico de Santa Monica.
Não me lembrou logo, mas a explicação devia bastar; e depois de alguns instantes de pesquiza mental, respondi que por muito tempo o conservára, mas as mudanças, as viagens...
—Hei de levar-lhe um exemplar.
Antes de vinte e quatro horas estava em minha casa, com o folheto, um velho folheto de vinte e seis annos, encardido, manchado do tempo, mas sem lacuna, e com uma dedicatoria manuscripta e respeitosa.
—E o penultimo exemplar, disse-me; agora só me resta um, que não posso dar a ninguem.