—Homem?

—Homem e advogado. Sabe defender com habilidade as causas mais melindrosas. Nem estou longe de crer que o proprio captiveiro lhe parecerá uma bemaventurança, se eu disser que é o peor estado do homem.

—Sim? retorquiu Helena sorrindo; estou quasi a fazer-lhe a vontade. Não faço; prefiro admirar a cabeça de Moema. Veja, veja como se vai faceirando. Ésta não maldiz o captiveiro; pelo contrário, parece que elle lhe dá glória. Pudera! Se não a tivessemos captiva, receberia ella o gosto de me sustentar e conduzir? Mas não é só faceirice, é tambem impaciencia.

—De que?

—Impaciencia de correr por essa estrada da Tijuca fóra, e beber o vento da manhã, espreguiçando os musculos, e sentindo-se alguma cousa senhora e livre. Mas que queres tu, minha pobre egua? continuou a moça inclinando a cabeça até as orelhas do animal; vai aqui ao pe de nós um homem muito mau e medroso, que é ao mesmo tempo meu irmão e meu inimigo...

—Helena! interrompeu Estacio; voce é muito capaz de desparar a correr.

—E se fôsse?

—Eu deixava-a ir, e nunca a trazia em meus passeios. Voce monta bem; mas não desejo que faça temeridades. Nós somos responsaveis, não só por sua felicidade, mas tambem por sua vida.

Helena refletiu um instante.

—Quer dizer, perguntou ella, que se eu fôsse victima de um desastre não faltaria quem o imputasse á minha familia?