—Va la saber, disse o irmão rindo.

Helena deu de redea á egua e adeantou-se alguns passos. Estacio apertou o animal e alcançou-a.

—Não va fazer tolices! disse elle em tom de branda reprehensão. Aquillo é fantasia do morador, ou algum signal de passaros, ou qualquer outra cousa que não vale a pena de uma travessura. Contemplemos antes a manhã, que está deliciosa.

Helena não attendeu á proposta do irmão e foi andando, a passo lento, na direcção da casa. A casa era velha, abrindo por uma porta para o alpendre antigo que lhe corria na frente. As collunnas deste estavam ja lascadas em muitas partes, apparecendo, aqui e alli, a ossada de tijolo. A porta estava meio aberta. Havia absoluta solidão, apparente ao menos. Quando elles lhe passaram pela frente, a porta abriu-se, mas se alguem espreitava por ella, ficou sumido na sombra, porque ninguem de fóra o viu.

Cêrca de cinco braças adeante, Estacio resolveu definitivamente regressar, e Helena não oppoz objecção nenhuma. Torceram a redea aos animais e desceram.

—Não poderei falar á bandeira? perguntou a moça. Deixe-me ao menos dizer-lhe adeus.

Tinha ja tirado da algibeira o seu fino lenço de cambraia; agitou-o na direcção da casa. Quiz o acaso que a bandeira, até então quieta, se movesse no sopro de uma aragem que passou.

—Ve como ella me respondeu? Não se póde ser mais cortez! exclamou Helena, rindo.

Estacio riu tambem da lembrança da irmã, e ambos desceram, a passo lento, como haviam subido. Helena vinha taciturna e pensativa. Seus olhos, cravados nas orelhas de Moema, não pareciam ver sequer o caminho que o animal seguia, Estacio, para arrancal-a ao silêncio, fez-lhe uma observação acerca de um incidente do caminho. Helena respondeu distrahidamente.

—Que tem voce? perguntou elle.