—E se eu lhe pedir que não saia nunca sem mim?

—Não sei se poderei obedecer. Nem sempre voce poderá acompanhar-me; além disso, indo com o pagem, é como se fosse só; e meu espirito gosta ás vezes de trotar livremente na solidão.

—Naturalmente a pensar de cousas amorosas... acrescentou Estacio cravando os olhos interrogadores na irmã.

Helena não respondeu; tomou-lhe o braço e os dous seguiram silenciosamente uns dez minutos. Chegando a um banco de madeira, Estacio sentou-se; Helena ficou de pe diante delle. Olharam um para outro sem proferir palavra; mas o labio de Estacio tremêra duas ou tres vezes como hesitando no que ia dizer. Por fim, o moço venceu-se.

—Helena, disse elle, voce ama.

A moca estremeceu e corou vivamente; olhou em volta de si como assustada e pousou as mãos nos hombros de Estacio. Reflectiu ella no que disse depois? É duvidoso; mas a voz, que nessa occasião parecia concentrar todas as melodias da palavra humana, suspirou lentamente:

—Muito! muito! muito!

Estacio empallideceu. A moça recuou um passo, e, trémula, poz o dedo na boca como a impor-lhe silêncio. A vergonha flamejava em seu rosto; Helena deu as costas ao irmão e affastou-se rapidamente. Ao mesmo tempo, a sineta do portão era agitada com fôrça, e uma voz atroava a chacara:

—Licença para o amigo que vem do outro mundo!

[CAPITULO X]