—Recebi.
—Não esperavas por ella, aposto?
—Não.
—Como eu não esperava escrevel-a. Estás aborrecido, continuou elle depois de um silêncio.
—Estou cançado.
—Naturalmente, assentiu Mendonça abrindo um livro que achou sobre a mesa e tornando-o a fechar.
O silêncio prolongou-se alguns minutos, durante os quaes Mendonça tornou a abrir o livro, examinou uma espingarda de caça, preparou um cigarro e fumou. O escravo servia o senhor com a pontualidade de quem lhe conhecia os costumes. Estacio continuava mortalmente silencioso; Mendonça falou algumas vezes, sobre cousas indifferentes, e o tempo não correu, andou com a lentidão que lhe é natural quando trata com impacientes. Logo que Estacio se deu por pro rapto, e o escravo sahiu, Mendonça voltou directamente ao assumpto que o preoccupava.
—Estava ancioso por ver-te, disse elle. Não nos é possivel falar agora: não temos tempo. Mas quero dar-te um abraço, ao menos, um abraço de agradecimento pela felicidade...
—Parece que só esperavas a minha ausencia?
—Creio que não. Ja antes de seguires, começava a sentir alguma cousa nova, que vim a descobrir ser paixão violenta.