[CAPITULO XIX]
No momento em que Estacio proferia éstas palavras, transpunha Mendonça a porta do jardim do capellão. Preoccupado com a frieza de Estacio, lembrara-lhe expor a Melchior suas impressões e pedir-lhe conselho, Melchior ia responder ao sobrinho de D. Ursula, quando ouviu rumor de passos na areia do jardim.
—Ahi vem o noivo, disse elle.
Estacio deu dous passos para pegar no chapeu; mas reconsiderou e foi sentar-se ao pe da mesa redonda. Havia alli um exemplar das Escripturas. Abriu-as ao acaso; a página acertou ser um capítulo dos Proverbios; seus olhos cahiram neste versiculo: «Quem quer abrir mão de seu amigo, busca-lhe as occasiões; elle será coberto de opprobrio.» Envergonhado, voltou a folha. Mendonça, entrára na sala. Não contava com Estacio, mas estimou vel-o alli.
—Venha, disse Melchior; tratavamos justamente seu casamento.
Estacio lançou ao padre um olhar de exprobação. O padre não o viu; olhava para Mendonça, que immediatamente lhe respondeu:
—Não venho ca para outra cousa. Uma vez que a fortuna o fez nosso confidente, desejo constituil-o meu conselheiro e director.
—Antes de tudo sou advogado de sua causa, disse Melchior: estava expondo agora as vantagens della.
Mendonça olhou fixamente para o amigo, e, depois de curta pausa:
—Rejeitas ou aceitas o noivo? perguntou elle.