—Não é casada.

—Solteira?

—Assim, assim. Deve chamar-se hoje D. Maria{58} de tal. Em 1860 florescia com o nome familiar de Marocas. Não era costureira, nem proprietaria, nem mestra de meninas; vá excluindo as profissões e lá chegará. Morava na rua do Sacramento. Já então era esbelta, e, seguramente, mais linda do que hoje; modos sérios, linguagem limpa. Na rua, com o vestido afogado, escorrido, sem espavento, arrastava a muitos, ainda assim.

—Por exemplo, ao senhor.

—Não, mas ao Andrade, um amigo meu, de vinte e seis annos, meio advogado, meio politico, nascido nas Alagoas, e casado na Bahia, d'onde viera em 1859. Era bonita a mulher d'elle, affectuosa, meiga e resignada; quando os conheci, tinham uma filhinha de dois annos.

—Apezar d'isso, a Marocas...?

—É verdade, dominou-o. Olhe, se não tem pressa conto-lhe uma cousa interessante.

—Diga.

—A primeira vez que elle a encontrou, foi á porta da loja Paula Brito, no Rocio. Estava alli viu a distancia uma mulher bonita, e esperou, já alvoraçado, porque elle tinha em alto grau a paixão das mulheres. Marocas vinha andando, parando e olhando como quem procura alguma casa. Defronte da loja{59} deteve-se um instante; depois, envergonhada e a medo, estendeu um pedacinho de papel ao Andrade, e perguntou-lhe onde ficava o numero alli escripto, Andrade disse-lhe que do outro lado do Rocio, e ensinou-lhe a altura provavel da casa. Ella cortejou com muita graça; elle ficou sem saber o que pensasse da pergunta.

—Como eu estou.