—Realmente, é um grande paiz, dizia o Falcão, de quando em quando. E depois de tres minutos de reflexão:—Mas, pelo que o senhor conta, só ha ouro?
—Ouro só, não; ha muita prata e papel; mas alli papel e ouro é a mesma cousa. E moedas de outras nações? Hei de mostrar-lhe uma collecção que trago. Olhe; para vêr o que é aquillo basta pôr os olhos em mim. Fui para lá pobre, com vinte e tres annos; no fim de sete annos, trago seiscentos contos.
Falcão estremeceu:—Eu, com a sua edade, confessou elle, mal chegaria a cem.
Estava encantado. Reginaldo disse-lhe que precisava de duas ou tres semanas, para lhe contar os milagres do dollar.
—Como é que o senhor lhe chama?
—Dollar.
—Talvez não acredite que nunca vi essa moeda.
Reginaldo tirou do bolso do collete um dollar e mostrou-lh'o. Falcão, antes de lhe pôr a mão, agarrou-o{175} com os olhos. Como estava um pouco escuro, levantou-se e foi até á janella, para examinal-o bem—de ambos os lados; depois restituiu-o, gabando muito o desenho e a cunhagem, e accrescentando que os nossos antigos patacões eram bem bonitos.
As visitas repetiram-se. Reginaldo assentou de pedir a moça. Esta, porém, disse-lhe que era preciso ganhar primeiro as boas graças do tio; não casaria contra a vontade d'elle. Reginaldo não desanimou. Tratou de redobrar as finezas; abarrotou o tio de dividendos fabulosos.
—A proposito, o senhor nunca me mostrou a sua collecção de moedas, disse-lhe um dia o Falcão.