10 de Fevereiro.
A felicidade é palreira. D. Carmo ainda me não disse que os dous estão para cazar, mas já hoje me confiou que escreveu á comadre, mãe de Tristão, a quem não escreve ha muito. Justamente pelo mesmo paquete que levou a carta do afilhado. Naturalmente reforçou o pedido e analisou as graças phisicas e moraes de Fidelia, e se lhe não pediu que os deixe cá, e venha ella tambem, acabará por ahi. Nessa occasião me dirá o resto, ou antes.
12 de Fevereiro.
Estava com dezejo de ir passar um mez em Petropolis, mas o gosto de acompanhar aquelles dous namorados me faz hesitar um pouco, e acabará por me prender aqui. Rita tem o mesmo gosto, e já agora os frequenta mais. Hontem disse-me que o cazamento é certo.
—Mas quem disse a você que elles se cazam?
—Ninguem me disse, eu é que adivinhei. D. Carmo, a quem falei nisto, ficou um pouco embaraçada; não queria confessar e tinha vergonha de negar, é o que é; mas eu desconversei e falei de outra cousa. Só se elles não lhe disseram ainda nada...
Não sei que escrupulo me deteve a lingua; não lhe contei o que sabia da parte do proprio Tristão, mas não me custou nada; apenas retruquei disfarçando:
—Bem, a viuva não caza commigo, caza com outro, segundo lhe parece: mas então você confessa que perdeu a aposta.
—Não digo que não. Tudo está nas mãos de Deus.