13 de Março.

Não ha como a paixão do amor para fazer original o que é comum, e novo o que morre de velho. Taes são os dous noivos, a quem não me canço de ouvir por serem interessantes. Aquelle drama de amor, que parece haver nascido da perfidia da serpente e da desobediencia do homem, ainda não deixou de dar enchentes a este mundo. Urna vez ou outra algum poeta empresta-lhe a sua lingua, entre as lagrimas dos expectadores; só isso. O drama é de todos os dias e de todas as formas, e novo como o sol, que tambem é velho.


20 de Março.

D. Carmo tomou a si adornar a casa dos noivos. Soube isto pelo desembargador, que chegou de Petropolis e deixou a casa «uma belleza» com a ordem em que ella dispõe os moveis e os adornos, alguns destes obra já de suas mãos.

—Já? perguntei.

—Já; D. Carmo trabalha depressa, e neste momento com grande afeição ; deu-lhes tambem muitos trabalhos seus. Converse com o Aguiar, que lhe dirá a mesma cousa, e Tristão tambem; Fidelia é do mesmo parecer.

Rita, sem nada ver, acredita que seja assim; foi o que me respondeu. Quanto a D. Cesaria tambem não viu nada, mas inclina-se a crer que lhe falte alguma harmonia.

—Pode ser que não, aventurei.

—Não digo que D. Carmo não pudesse fazer alguma cousa capaz, mas com esta pressa, ás carreiras, não é provavel. Demais ella não possue tanto gosto como se quer; algum tem, mas falta-lhe graça. Aos noivos tambem; elle parece-me espalhafatoso...