25 de Março.

Era minha ideia hoje, anniversario da Constituição, ir comprimentar o imperador, mas a visita de Tristão fez-me abrir mão do plano. Deixei-me estar a conversar com elle de mil cousas varias, depois saímos, passeámos e tornámos a casa.

Não aceitou jantar commigo por ter de ir jantar com ella. Naturalmente falámos della algumas vezes, elle com entusiasmo, eu com simpatia. Talvez eu falasse menos que elle, é verdade; mas eu sou apenas amigo de ambos, e, de costume, prefiro ouvir.

Outro assunto que nos prendeu tambem, menos que ella, foi a politica, não a de cá nem a de lá, mas a de além e de outras linguas. Tristão assistiu á Communa, em França, e parece ter temperamento conservador fora da Inglaterra; em Inglaterra é liberal; na Italia continua latino. Tudo se pega e se ajusta naquelle espirito diverso. O que lhe notei bem é que em qualquer parte gosta da politica. Vê-se que nasceu em terra della e vive em terra della. Tambem se vê que não conhece a politica do odio, nem saberá perseguir; em suma, um bom rapaz, não me canço de o escrever, nem o calaria agora que elle vae cazar; todos os noivos são bons rapazes.


26 de Março.

Or bene, marcou-se o dia do cazamento de Tristão e Fidelia; é a 15 de Maio. Já estava disposto entre elles, secretamente, para que os papeis corressem em Lisboa, a tempo. Os de cá vão correr já.

Foi a propria D. Carmo que me deu a noticia hoje, antes que me venha por carta, como se tratasse de pessoas minhas, noivo e noiva, tão frequentes somos os tres e os quatro, mas logo reduziu tudo a si mesma.

—Realisa-se um grande sonho meu, conselheiro, disse ella. Tel-os-hei finalmente commigo. Espero arranjar-lhes caza aqui mesmo no Flamengo. Ella disse-me uma vez que seria minha filha...

—Foi por occasião das suas bodas de prata, não foi?