Antigamente, quando eu era menino, ouvia dizer que ás creanças só se punham nomes de santos ou santas. Mas Fidelia...? Não conheço santa com tal nome, ou sequer mulher pagã. Terá sido dado á filha do barão, como a fórma feminina de Fidelio, em homenagem a Beethoven? Pode ser; mas eu não sei se elle teria dessas inspirações e reminiscencias artisticas. Verdade é que o nome da familia, que serve ao titulo nobiliario, Santa-Pia, tambem não o acho na lista dos canonisados, e a unica pessoa que conheço, assim chamada, é a de Dante: Ricorditi di me, chi son la Pia.
Parece que já não queremos Annas nem Marias, Catarinas nem Joannas, e vamos entrando em outra onomastica, para variar o aspeto ás pessoas. Tudo serão modas neste mundo, excepto as estrelas e eu, que sou o mesmo antigo sujeito, salvo o trabalho das notas diplomaticas, agora nenhum.
18 de Fevereiro.
Campos disse-me hoje que o irmão lhe escrevera, em segredo, ter ouvido na roça o boato de uma lei proxima de abolição. Elle, Campos, não crê que este ministerio a faça, e não se espera outro.
24 de Fevereiro.
A data de hoje (revolução de 1848) lembra-me a festa de rapazes que tivemos em S. Paulo, e um brinde que eu fiz ao grande Lamartine. Ai, viçosos tempos! Eu estava no meu primeiro anno de direito. Como falasse disso ao desembargador, disse-me este:
—Meu irmão crê que tambem aqui a revolução está proxima, e com ella a Republica.