Durante os meus trinta e tantos annos de diplomacia algumas vezes vim ao Brazil, com licença. O mais do tempo vivi fóra, em varias partes, e não foi pouco. Cuidei que não acabaria de me habituar novamente a esta outra vida de cá. Pois acabei. Certamente ainda me lembram cousas e pessoas de longe, diversões, paizagens, costumes, mas não morro de saudades por nada. Aqui estou, aqui vivo, aqui morrerei.
Cinco horas da tarde.
Recebi agora um bilhete de mana Rita, que aqui vae colado:
9 de Janeiro.
«Mano,
«Só agora me lembrou que faz hoje um anno que você voltou da Europa apozentado. Já é tarde para ir ao cemiterio de S. João Baptista, em visita ao jazigo da familia, dar graças pelo seu regresso; irei amanhã de manhã, e peço a você que me espere para ir commigo. Saudades da
«Velha mana,
«Rita.»
Não vejo necessidade disso, mas respondi que sim.