10 de Agosto.
Meu velho Ayres, trapalhão da minha alma, como é que tu comemoraste no dia 3 o ministerio Ferraz, que é de 10? Hoje é que elle faria annos, meu velho Ayres. Vês que é bom ir apontando o que se passa; sem isso não te lembraria nada ou trocarias tudo.
Fidelia chega da Parahyba do Sul no dia 15 ou 16. Parece que os libertos vão ficar tristes; sabendo que ella transfere a fazenda pediram-lhe que não, que a não vendesse, ou que os trouxesse a todos comsigo. Eis ahi o que é ser formosa e ter o dom de cativar. Desse outro cativeiro não ha cartas nem leis que libertem; são vinculos perpetuos e divinos. Tinha graça vel-a chegar á Corte com os libertos atraz de si, e para quê, e como sustental-os? Custou-lhe muito fazer entender aos pobres sujeitos que elles precisam trabalhar, e aqui não teria onde os empregar logo. Prometeu-lhes, sim, não os esquecer, e, caso não torne á roça, recomendal-os ao novo dono da propriedade.
11 de Agosto.
Recebi hoje um bilhete de Tristão, escrito de Nova-Friburgo, no qual me diz que está muito satisfeito com o que vê e o que ouve; reconheceu a cidade, que é encantadora com a sua gente. A companheira de viagem ainda o é mais que a gente e a cidade. Copio estas palavras do bilhete: «A madrinha ou mãesinha,—não sei bem qual dos nomes lhe dê, ambos são exactos,—é aqui muito querida e festejada, não só por duas amigas velhas que lhe restam dos tempos de creança, mas ainda por outras que conheceu depois de cazada, parentas daquellas ou somente amigas tambem. Gosto do logar e do clima; a temperatura é excelente; ficaremos uns tres dias mais.»
Não ha nessa carta nada que não pudesse ser dito na volta, uma vez que elle desce daqui a tres dias. Creio que elle cedeu ao desejo de ser lido por mim e de me ler tambem. Questão de simpatia, questão de arrastamento. Vou responder-lhe com duas linhas...
...Lá vae a carta; respondi-lhe com trinta e tantas linhas, dizendo-lhe cousas que busquei fazer alegres, e com certeza sairam quasi amigas. Concordei que Nova-Friburgo era delicioso, e conclui por estas palavras: «Quando descer venha almoçar commigo; falaremos de lá e de cá.»
17 de Agosto.