Era a primeira vez que lhes dizia uma cousa d'estas, e o interesse foi tamanho que elles pegaram do assunto para dizer cousas interessantissimas. Não as escrevo por ser tarde, mas cá me ficam de memoria. Digo só que, quando saí, D. Carmo, apezar do joelho doente, e por mais que eu quizesse detel-a, veiu commigo á porta da sala. Aguiar acompanhou-me até á porta do jardim, emquanto ella veiu á janela, donde se despedia ainda uma vez.
—Olhe o sereno, boa noite, disse-lhe eu cá debaixo.
—Boa noite.
D. Carmo entrou. Aguiar e eu apertámos a mão um do outro. Indo a sair, lembrou-me falar do cão ali sepultado. Não lhe falei logo, dei tres ou quatro investidas, mas tão rapidas que, se gastei um minuto, foi o mais; nem tanto. Aguiar ouviu-me espantado e constrangido.
—Quem lhe contou isso?
—O Dr. Tristão.
Não lhe quiz citar o Campos, que tambem me falou do animal. Aguiar confessou calando, depois falando, mas não falou muito. Confirmou que tiveram muita amizade ao bicho, e referiu-me os padecimentos que a doença e a morte deste produziram na mulher. Não disse os seus, mas tambem os tivera; olhou uma vez para o lado da parede, e depois de uma pausa:
—Tristão riu-se naturalmente do nosso carinho?
—Ao contrario, falou-me com muito louvor; tem bom coração aquelle rapaz.
—Muito bom.