[CAPITULO CXXXII]

Que não é serio

Citando o dito da rainha de Navarra, occorre-me que entre o nosso povo, quando uma pessoa vê outra pessoa arrufada, costuma perguntar-lhe: «Gentes, quem matou seus cachorrinhos?» como se dissesse:—«quem lhe levou os amores, as aventuras secretas, etc.» Mas este capitulo não é serio.


[CAPITULO CXXXIII]

O principio de Helvetius

Estavamos ao ponto era que o official de marinha me arrancou a confissão dos amores de Virgilia; e aqui emendo eu o principio de Helvetius,—ou, por outra, explico-o. O meu interesse era calar; confirmar a suspeita de uma cousa antiga fôra provocar algum odio supitado, dar origem a um escandalo, quando menos adquirir a reputação de indiscreto. Era esse o interesse; e entendendo-se o principio de Helvetius de um modo superficial, isso é o que devia ter feito. Mas eu já dei o motivo da indiscrição masculina: antes daquelle interesse de segurança, havia outro, o do desvanecimento, que é mais intimo, mais immediato: o primeiro era reflexivo, suppunha um syllogismo anterior; o segundo era espontaneo, instintivo, vinha das entranhas do sugeito; finalmente, o primeiro tinha o effeito remoto, o segundo proximo. Conclusão: o principio de Helvetius é verdadeiro no meu caso;—a diferença é que não era o interesse apparente, mas o recondito.


[CAPITULO CXXXIV]

Cincoenta annos