Olheiros e escutas
Interrompeu-nos o rumor de um carro na chacara. Veiu um escravo dizer que era a baroneza X. Virgilia consultou-me com os olhos.
—Se a senhora está assim com dor de cabeça, disse eu, parece que o melhor é não receber.
—Já se apeou? perguntou Virgilia ao escravo.
—Já se apeou; diz que precisa muito de falar com sinhá!
—Que entre!
A baroneza entrou dahi a pouco. Não sei se contava commigo na sala; mas era impossivel mostrar maior alvoroço.
—Bons olhos o vejam! explodiu ella. Onde se mette o senhor que não apparece em parte nenhuma? Pois olhe, hontem admirou-me não o ver no theatro. A Candiani esteve deliciosa. Que mulher! Gosta da Candiani? É natural. Os senhores são todos os mesmos. O barão dizia hontem, no camarote, que uma só italiana vale por cinco brazileiras. Que desaforo! e desaforo de velho, que é peor. Mas porque é que o senhor não foi hontem ao theatro?
—Uma enxaqueca.
—Qual! Algum namoro; não acha, Virgilia? Pois, meu amigo, apresse-se, porque o senhor deve estar com quarenta annos... ou perto disso... Não tem quarenta annos?