Outubro de 1882.


[1]Cerca de dous annos para cá, recebi duas cartas anonymas, escriptas por pessôa intelligente e sympathica, em que me foi notado o uso do vocabulo reproche. Não sabendo como responda ao meu estimavel correspondente, aproveito esta occasião.

Reproche não é gallicismo. Nem reproche nem reprochar. Moraes cita, para o verbo, este trecho dos Ined. II fl. 259: "hum non tinha que reprochar ao outro;" e aponta os logares de Fernando de Lucena, Nunes de Leão e D. Francisco Manoel de Mello, em que se encontra o substantivo reproche. Os hespanhoes tambem os possuem.

Resta a questão de euphonia. Reproche não parece mal soante. Tem contra si o desuso. Em todo caso, o vocabulo que lhe está mais proximo no sentido, exprobração, acho que é insupportavel. Dahi a minha insistencia em preferir o outro, devendo notar-se que não o vou buscar para dar ao estylo um verniz de extranheza, mas quando a ideia o traz comsigo.



[O ALIENISTA]

[I]
DE COMO ITAGUAHY GANHOU UMA CASA DE ORATES