10.—E respondeu Japhet:—«Acho bem lembrada a idea de Sem; podemos viver em tendas separadas. A arca vai descer ao cabeço de uma montanha; meu pae e Chain descerão para o lado do nascente: eu e Sem para o lado do poente. Sem occupará duzentos covados de terra, eu outros duzentos.»

11.—Mas dizendo Sem:—«Acho pouco duzentos covados»—, retorquiu Japhet: «Pois sejam quinhentos cada um. Entre a minha terra e a tua haverá um rio, que as divida no meio, para se não confundir a propriedade. Eu fico na margem esquerda e tu na margem direita;

12.—«Ea minha terra se chamará a terra de Japhet, e a tua se chamará a terra de Sem; e iremos ás tendas um do outro, e partiremos o pão da alegria e da concordia.»

13.—E tendo Sem approvado a divisão, perguntou a Japhet: «Mas o rio? a quem pertencerá a agua do rio, a corrente?

14.—«Porque nós possuimos as margens, e não estatuimos nada a respeito da corrente.» E respondeu Japhet, que podiam pescar de um e outro lado; mas, divergindo o irmão, propôz dividir o rio em duas partes, fincando um pau no meio. Japhet, porem, disse que a corrente levaria o pau.

15.—E tendo Japhet respondido asssim, acudiu o irmão:—«Pois que te não serve o pau, fico eu com o rio, e as duas margens; e para que não haja conflicto, podes levantar um muro, dez ou doze covados, para lá da tua margem antiga.

16.—«E se com isto perdes alguma cousa, nem é grande a differença, nem deixa de ser acertado, para que nunca jamais se turbe a concordia entre nós, segundo é a vontade do Senhor.»

17.—Japhet porém replicou:—«Vae bugiar! Com que direito me tiras a margem, que é minha, e me roubas um pedaço de terra? Por ventura és melhor do que eu.

18.—«Ou mais bello, ou mais querido de meu pae? que direito tens de violar assim tão escandalosamente a propriedade alheia?

19.—«Pois agora te digo que o rio ficará do meu lado, com ambas as margens, e que se te atreveres a entrar na minha terra, matar-te-hei como Caim matou a seu irmão.»