7.—«E que, se é preciso correr sangue, o sangue hade correr já e já,
8.—«Para te castigar a soberba e lavar a tua iniquidade?»
9.—Então Sem avançou para Japhet; mas Cham interpoz-se, pondo uma das mãos no peito de cada um;
10.—Emquanto o lobo e o cordeiro, que durante os dias do diluvio, tinham vivido na mais doce concordia, ouvindo o rumor das vozes, vieram espreitar a briga dos dous irmãos, e começaram a vigiar-se um ao outro.
11.—E disse Cham:—«Ora, pois, tenho uma ideia maravilhosa, que ha de accommodar tudo;
12.—«A qual me é inspirada pelo amor, que tenho a meus irmãos. Sacrificarei pois a terra que me couber ao lado de meu pae, e ficarei com o rio e as duas margens, dando-me vós uns vinte covados cada um.»
13.—E Sem e Japhet riram com desprezo e sarcasmo, dizendo:—«Vae plantar tamaras! Guarda a tua ideia para os dias da velhice.» E puxaram as orelhas e o nariz de Cham; e Japhet, mettendo dous dedos na boca, imitou o silvo da serpente, em ar de surriada.
14.—Ora, Cham envergonhado e irritado, espalmou a mão dizendo:—«Deixa estar!» e foi d'alli ter com o pae e as mulheres dos dous irmãos.
15.—Japhet porém disse a Sem:—«Agora que estamos sós, vamos decidir este grave caso, ou seja de lingua ou de punho. Ou tu me cedes as duas margens, ou eu te quebro uma costella.»
16.—Dizendo isto, Japhet ameaçou a Sem com os punhos fechados, emquanto Sem, derreando o corpo, disse com voz irada: «Não te cedo nada, gatuno!»