CLEON.
Velho Satyro!
LYSIAS.
Justo: um semi-deus sylvestre.
N'estas cousas do amor nunca tive outro mestre.
Tu gostas de chorar; eu cá prefiro rir.
Tres artigos da lei: gozar, beber, dormir.
CLEON.
Compras com isso a paz; a mim coube-me o tedio,
A solidão e a dôr.
LYSIAS.
Queres um bom remedio,
Um filtro da Thessalia, um balsamo infallivel?
Esquece emprezas vãs, não tentes o impossivel
Prende o teu coração nos laços de Hymenêo;
Casa-te; encontrarás o amor no gynecêo.
Mas cortezãs! jámais! São Gorgones! Medusas!
CLEON.
Essas que conheceste e tão severo accusas
—Pobres moças!—não são o universal modelo:
De outras sei a quem coube um coração singelo,
Que preferem a tudo a gloria singular
De conhecer somente a sciencia de amar;
Capazes de sentir o ardor da intensa chamma
Que eleva, que resgata a vida que as infama.