Mais do que isso; é um credor.

MYRTO.

Ah!

LYSIAS.

Que bello rapaz! que alma fogosa e pura,
Bem digna de aspirar-te um hausto de ventura!
Queira o céu pôr-lhe termo á profunda agonia,
Surja emfim para elle o sol de um novo dia.
Merece-o. Mas vê lá se ha destino peior:
Quer o alado Mercurio obstar o alado Amor.
Com beijos não se paga a pompa do vestido,
O expetaculo e a mesa; e se o gentil Cupido
Gosta de ouvir canções, o outro não vai com ellas;
Vale uma drachma só vinte odezinhas bellas.
Um poema não compra um simples borzeguim.
Versos! são bons de ler, mais nada; eu penso assim.

MYRTO.

Pensas mal! A poesia é sempre um dom celeste;
Quando o genio o possue quem ha que o não requeste?
Hermes, com ser o deus dos graves mercadores,
Tocou lyra tambem.

LYSIAS.

Já sei que estás de amores.

MYRTO.