Já esqueci; passou.
LYSIAS.
Quem falla como pensa
Arrisca-se a perder ou por sobra ou por mingoa.
Eu confesso o meu mal; não sei tentear a lingua.
Pois que me perdoaste, escuta-me. Tu tens
A graça das feições, o summo bem dos bens;
Moça, trazes na fronte o doce beijo de Hebe
Como um philtro de amor que, sem sentir, se bebe,
De teus olhos destilla a eterna juventude;
De teus olhos que um deus, por lhes dar mais virtude,
Fez azues como o céu, profundos como o mar.
Quem taes dotes reune, ó Myrto, deve amar.
MYRTO.
Fallas como um poeta, e zombas da poesia!
LYSIAS.
Eu, poeta? jámais.
MYRTO.
A tua fantasia
Respirou certamente o ar do monte Hymmeto.
Tem a expressão tão doce!
LYSIAS.