Tambem desejas ser alguma coisa?

LYSIAS.

Não;
Eu caso o meu amor ás regras da razão.
Cleon quizera ser o espelho em que teu rosto
Sorri; eu, bela Myrto, eu tenho melhor gosto.
Ser espelho! ser banho! e tunica! tolice!
Esteril ambição! loucura! criancice!
Por Venus! sei melhor o que a mim me convem.
Homem sisudo e grave outros desejos tem.
Fiz, a este respeito, aprofundado estudo;
Eu não quero ser nada; eu quero dar-te tudo.
Escolhe o mais perfeito espelho de aço fino,
A tunica melhor de pano tarentino,
Vasos de oleo, um colar de perolas,—enfim
Quanto enfeita uma dama aceital-o-has de mim.
Brincos que vão ornar-te a orelha graciosa;
Para os dedos o annel de pedra preciosa;
A tua fronte pede aureo, rico anadema;
Têl-o-has, divina Myrto. É este o meu poema.

MYRTO.

É lindo!

LYSIAS.

Queres tu, outras estrophes mais?
Dar-t'as-hei quais as teve a celebrada Lais.
Casa, rico jardim, servas de toda a parte;
E estatuas e paineis, e quantas obras d'arte
Podem servir de ornato ao templo da belleza,
Tudo haverás de mim. Nem gosto nem riqueza
Tu ha de faltar, mimosa, e só quero um penhor.
Quero... quero-te a ti.

MYRTO.

Pois que! já quer a flôr,
Quem desdenhando a flôr, só lhe pede o perfume?

LYSIAS.