—Só?

—Sim, é bonita.

—Onde é que você bota os seus chinellos velhos, primo?

Carlos Maria sorriu sem responder; não gostou da expressão. Quiz passar a outro assumpto, mas D. Fernanda tornou ao casamento da amiga de Pelotas. Mirava o retrato, coloria-o de palavra, dizendo como eram os olhos, os cabellos, a tez; e depois fez uma pequena biographia de Sonora. Tinha este bonito nome. O padre que a baptisou, hesitou em dar-lh'o, apezar do respeito e influencia do pae da menina, rico estancieiro; mas, afinal cedeu, considerando que as virtudes da pessoa podiam levar o nome ao rol dos santos.

—Crê que ella vá ao rol dos santos? perguntou Carlos Maria.

—Se casar com você, creio.

—Não me explica nada; casando com o diabo succederá a mesma cousa, e com mais certeza, por causa do martyrio. Santa Sonora, não é feio nome, responde bem ao sentido. Santa Sonora... Em todo caso, prima...

—Você tem raça de judeu; cale-se, interrompeu ella. Recusa então a minha guasca? continuou indo pôr o album no seu logar.

—Não recuso; deixe-me ir indo com o meu celibato, que é meio caminho do ceu.

D. Fernanda soltou uma gargalhada.