—Pois não pagues, e vê se te não fica ainda mais.

—É boa! redarguiu o Palha rindo e guardando o dinheiro no bolso.


[CAPITULO CXXIX]

Não havia banco, nem logar de director, nem liquidação; mas, como justificaria o Palha a proposta de separação, dizendo a pura verdade? Dahi a invenção, tanto mais prompta, quanto o Palha tinha amor aos bancos, e morria por um. A carreira daquelle homem era cada vez mais prospera e vistosa. O negocio corria-lhe largo; um dos motivos da separação era justamente não ter que dividir com outro os lucros futuros. Palha, além do mais, possuia acções de toda a parte, apolices de ouro do emprestimo Itaborahy, e fizera uns dous fornecimentos para a guerra, de sociedade com um poderoso, nos quaes ganhou muito. Já trazia apalavrado um architecto para lhe construir um palacete. Vagamente pensava em baronia.


[CAPITULO CXXX]

—Quem diria que a gente do Palha nos trataria deste modo? Já não valemos nada. Excusa de os defender...

—Não defendo, estou explicando; ha de ter havido confusão.

—Fazer annos, casar a prima, e nem um triste convite ao major, ao grande major, ao impagavel major, ao velho amigo major. Eram os nomes que me davam; eu era impagavel, amigo velho, grande e outros nomes. Agora, nada, nem um triste convite, um recado de boca, ao menos, por um moleque: «Nhanhã faz annos, ou casa a prima, diz que a casa esta ás suas ordens, e que vão com luxo.» Não iriamos; luxo não é para nós. Mas era alguma cousa, era recado, um moleque, ao impagavel major...