—Eu o faria ministro de Estado!
Um dos convivas exclamou, sem convicção, por simples officio:
—Oh! sem duvida!
Nenhum daquelles homens sabia, entretanto, o sacrificio que lhes fazia o Rubião. Recusava jantares, passeios, interrompia conversações apraziveis, só para correr a casa e jantar com elles. Um dia achou meio de conciliar tudo. Não estando elle em casa ás seis horas em ponto, os criados deviam pôr o jantar para os amigos. Houve protestos; não, senhor, esperariam até sete ou oito horas. Um jantar sem elle não tinha graça.
—Mas é que posso não vir, explicou Rubião.
Assim se cumpriu. Os convivas ajustaram bem os relogios pelos da casa de Botafogo. Davam seis horas, todos á mesa. Nos dous primeiros dias houve tal ou qual hesitação; mas os criados tinham ordens severas. Ás vezes, Rubião chegava pouco depois. Eram então risos, ditos, intrigas alegres. Um queria esperar, mas os outros... Os outros desmentiam o o primeiro; ao contrario, foi este que os arrastou, tal fome trazia,—a ponto que, se alguma cousa restava, eram os pratos. E Rubião ria com todos.
[CAPITULO CXXXIV]
Fazer um capitulo só para dizer que, a principio, os convivas, ausente o Rubião, fumavam os proprios charutos, depois do jantar,—parecerá frivolo aos frivolos; mas os considerados dirão que algum interesse haverá nesta circumstancia em apparencia minima.
De facto, uma noite, um dos mais antigos lembrou-se de ir ao gabinete de Rubião; lá fôra algumas vezes, alli se guardavam as caixas de charutos, não quatro nem cinco, mas vinte e trinta de varias fabricas e tamanhos, muitas abertas. Um criado (o hespanhol) accendeu o gaz. Os outros convivas seguiram o primeiro, escolheram charutos e os que ainda não conheciam o gabinete admiraram os moveis bem feitos e bem dispostos. A secretária captou as admirações geraes; era de ebano, um primor de talha, obra severa e forte. Uma novidade os esperava: dous bustos de marmore, postos sobre ella, os dous Napoleões, o primeiro e o terceiro.