Nauseas vieram interrompel-a neste ponto das reflexões. A natureza lembrava-lhe uma razão de Estado—a razão da especie,—mais instante e superior aos tedios do marido. Ella cedeu á necessidade; mas, poucos minutos depois, estava ao pé de Carlos Maria, contornando-lhe o pescoço com o braço direito. Elle, sentado, lia uma revista ingleza; pegou-lhe na mão, pendente sobre o peito, e acabou a pagina.
—Você me perdoa? perguntou a mulher, quando o viu fechar o folheto. Daqui em diante vou ser menos tagarella.
Carlos Maria pegou-lhe nas duas mãos, sorrindo e respondeu com a cabeça que sim. Foi como se lançasse uma onda de luz sobre ella; a alegria penetrou-lhe a alma. Dir-se-hia que o proprio feto repercutiu a sensação e abençoou o pae.
[CAPITULO CLXXI]
—Perfeitamente! Assim é que eu os quero ver! bradou uma voz do lado da varanda.
Maria Benedicta affastou-se rapidamente do marido. A varanda, que communicava para a sala, por tres portas, tinha uma destas aberta. Dalli viera a voz; dalli espiava e ria a cabeça de Rubião. Era a primeira vez que o viam. Carlos Maria, sem se levantar, olhava para elle, serio, esperando. E a cabeça ria, com os seus fartos bigodes de ponta de agulha, mirando um e outro, e repetindo:
—Perfeitamente! assim é que eu os quero ver!
Rubião entrou, estendeu-lhes a mão, que elles acceitaram sem carinho, disse muitas phrases de admiração e louvor a Maria Benedicta, ella tão galante, elle tão galhardo; notou que ambos tivessem o nome de Maria, especie de predestinação, e acabou noticiando a quéda do ministerio.
—Caiu o ministerio? perguntou involuntariamente Carlos Maria.