—De certo, concordou o Palha. Progresso e grande.

—O senhor é lavrador?

—Não, senhor.

—Mora na cidade?

—De Vassouras? Não; viemos aqui passar uma semana. Moro mesmo na Corte. Não teria geito para lavrador, com quanto ache que é uma posição boa e honrada.

Da lavoura passaram ao gado, á escravatura e á politica. Christiano Palha maldisse o governo, que introduzira na falla do throno uma palavra relativa á propriedade servil; mas, com grande espanto seu, Rubião não acudiu á indignação. Era plano deste vender os escravos que o testador lhe deixára, excepto um pagem; se alguma cousa perdesse, o resto da herança cobriria o desfalque. Demais, a falla do throno, que elle tambem lêra, mandava respeitar a propriedade actual. Que lhe importavam escravos futuros, se os não compraria? O pagem ir ser forro, logo que elle entrasse na posse dos bens. Palha desconversou, e passou á politica, ás camaras, á guerra do Paraguay, tudo assumptos geraes, ao que Rubião attendia, mais ou menos. Sophia escutava apenas; movia tão sómente os olhos, que sabia bonitos, fitando-os ora no marido, ora no interlocutor.

—Vae ficar na Côrte ou volta para Barbacena? perguntou o Palha no fim de vinte minutos de conversação.

—Meu desejo é ficar, e fico mesmo, acudiu Rubião; estou cançado da provincia; quero gozar a vida. Póde ser até que vá á Europa, mas não sei ainda.

Os olhos do Palha brilharam instantaneamente.

—Faz muito bem; eu faria o mesmo, se pudesse; por agora, não posso. Provavelmente, já lá foi?