[CAPITULO LXVI]
—Como elle diz aquellas cousas tão naturalmente! pensou Rubião, em casa, relembrando as palavras de Carlos Maria. Desfazer no retrato só para elogiar a pessoa! Note-se que o retrato é muito parecido...
[CAPITULO LXVII]
De manhã, na cama, teve um sobresalto. O primeiro jornal que abriu foi a Atalaia. Leu o artigo editorial, uma correspondencia, e algumas noticias. De repente, deu com o seu nome.
—Que é isto?
Era o seu proprio nome impresso, rutilante, multiplicado, nada menos que uma noticia do caso da rua da Ajuda. Depois do sobresalto, aborrecimento. Que diacho de ideia aquella de imprimir uma cousa particular, contada em confiança? Não quiz ler nada; desde que percebeu o que era, deitou a folha ao chão, e pegou em outra. Infelizmente, perdera a serenidade, lia por alto, pulava algumas cousas, não entendia outras, ou dava por si no fim de vinte linhas sem saber como viera escorregando até alli...
Ao levantar-se, sentou-se na poltrona, ao pé da cama, e pegou da Atalaia. Lançou os olhos pela noticia: era mais de uma columna. Columna e tanto para cousa tão diminuta! pensou comsigo. E afim de ver como é que Camacho enchera o papel, leu tudo, um pouco ás pressas, vexado dos adjectivos e da descripção dramatica do caso.
—Foi bem feito! disse em voz alta. Quem me mandou ser linguarudo?