—Diga sempre.
Quincas Borba, que não deixára de andar, parou alguns instantes.
—Queres ser meu discipulo?
—Quero.
—Bem, irás entendendo aos poucos a minha philosophia; no dia em que a houveres penetrado inteiramente, ah! nesse dia terás o maior prazer da vida, porque não ha vinho que embriague como a verdade. Crê-me, o Humanitismo é o remate das cousas; e eu, que o formulei, sou o maior homem do mundo. Olha, vês como o meu bom Quincas Borba está olhando para mim? Não é elle, é Humanitas...
—Mas que Humanitas é esse?
—Humanitas é o principio. Ha nas cousas todas certa substancia recondita e identica, um principio unico, universal, eterno, commum, indivisivel e indestructivel,—-ou, para usar a linguagem do grande Camões:
Uma verdade que nas cousas anda,
Que mora no visibil e invisibil.
Pois essa substancia ou verdade, esse principio indestructivel é que é Humanitas. Assim lhe chamo, porque resume o universo, e o universo é o homem. Vás entendendo?
—Pouco; mas, ainda assim, como é que a morte de sua avó...