Ao lado della, Carlos Maria não ficava mal. Era um rapaz galhardo, como sabemos, e trazia os mesmos olhos placidos do almoço do Rubião. Não tinha as maneiras subditas, nem as curvas reverentes dos outros rapazes; fallava com a graça de um rei benevolo. Entretanto, se, á primeira vista, parecia fazer apenas um obsequio áquella senhora, não é menos certo que ia desvanecido, por trazer ao lado a mais esbelta mulher da noite. Os dous sentimentos não se contradiziam; fundiam-se ambos na adoração que este moço tinha de si mesmo. Assim, o contacto de Sophia era para elle como a prosternação de uma devota. Não se admirava de nada. Se um dia accordasse imperador, só se admiraria da demora do ministerio em vir comprimental-o.

—Vou descançar um pouco, disse Sophia.

—Está cançada ou... aborrecida? perguntou-lhe o braceiro.

—Oh! cançada apenas!

Carlos Maria, arrependido de haver supposto a outra hypothese, deu-se pressa em climinal-a.

—Sim, creio; porque é que estaria aborrecida? Mas eu affirmo que é capaz de fazer me o sacrificio de passear ainda algum tempo. Cinco minutos?

—Cinco minutos.

—Nem mais um que seja? Pela minha parte, passearia a eternidade.

Sophia abaixou a cabeça.

—Com a senhora, note bem.