—A proposito, sabe que a casa Moraes & Cunha, paga a todos os credores, integralmente?
Rubião não sabia nada, nem se a casa existia, nem se elles eram credores della; ouviu a noticia, respondeu que estimava muito, e dispoz-se a ir embora. Mas o socio reteve-o ainda alguns instantes. Estava alegre agora; parecia que não lhe morrera ninguem. Voltou a fallar de Maria Benedicta. Tinha intenção de casal-a bem; nem ella era moça de dar lerias a pelintras, nem se deixava ir por phantasias tolas; era ajuizada, merecia um bom esposo, pessoa seria.
—Sim, senhor, ia dizendo Rubião.
—Olhe, murmurou de repente o socio; não se admire do que lhe vou dizer. Creio que você é que casa com ella.
—Eu? acudiu Rubião, espantado. Não, senhor. E em seguida, para attenuar o effeito da recusa: Não nego que seja moça digna e perfeita; mas... por ora... não penso em casar...
—Ninguem lhe diz que seja amanhã ou depois; casamento não é cousa que se improvise. O que eu digo é que tenho cá um palpite. São cousas; palpites. Sophia nunca lhe fallou neste meu palpite?
—Nunca.
—É exquisito, disse-me que lhe fallára uma vez, ou duas, não me lembro bem.
—Pode ser, sou muito distrahido. Que queriam casar-me com a moça?
—Não, que eu tinha um palpite. Mas, não fallemos mais n'isto. Demos tempo ao tempo.