—Mas então... será muito tarde?

—Meu marido póde não estar morto.

Espantou-me esta objecção.

—Mas a senhora está de luto.

—Tal foi a noticia que li e me deram; póde não ser exacta. Tenho visto desmentir outras que se reputavam certas.

—Quer certeza absoluta? perguntei. Eu posso dal-a.

Maria Cora empallideceu. Certeza. Certeza de quê? Queria que lhe contasse tudo, mas tudo. A situação era tão penosa para mim que não hesitei mais, e, depois de lhe dizer que era intenção minha não lhe contar nada, como não contára a ninguem, ia fazel-o, unicamente para obedecer á intimação. E referi o combate, as suas phases todas, os riscos, as palavras, finalmente a morte de João da Fonseca. A ancia com que me ouviu foi grande, e não menor o abatimento final. Ainda assim, dominou-se, e perguntou-me:

—Jura que me não está enganando?

—Para que a enganar? O que tenho feito é bastante para provar que sou sincero. Amanhã, trago-lhe outra prova, se é preciso mais alguma.

Levei-lhe os cabellos que cortára ao cadaver. Contei-lhe,—e confesso que o meu fim foi irrital-a contra a memoria do defunto,—contei-lhe o desespero da Prazeres. Descrevi essa mulher e as suas lagrimas. Maria Cora ouviu-me com os olhos grandes e perdidos; estava ainda com ciumes. Quando lhe mostrei os cabellos do marido, atirou-se a elles, recebeu-os, beijou-os, chorando, chorando, chorando... Entendi melhor sair e sair para sempre. Dias depois recebi a resposta á minha carta; recusava casar.