Após alguns instantes de silencio, meio sincero, por não saber realmente que dissesse, meio calculado, para persuadil-o da minha consternação, murmurei que era melhor não ir, e falei-lhe na mãe. X... respondeu-me que a mãe approvava; era viuva de militar. Fazia esforços para sorrir, mas a cara continuava a ser de pedra. Os olhos buscavam desviar-se, e geralmente não fitavam bem nem longo. Não conversámos muito; elle ergueu-se, allegando que ia liquidar um negocio, e pediu-me que voltasse a vel-o. Á porta, disse-me com algum esforço:

—Venha jantar um dia destes, antes da minha partida.

—Sim.

—Olhe, venha jantar amanhã.

—Amanhã?

—Ou hoje, se quizer.

—Amanhã.

Quiz deixar lembranças a Maria; era natural e necessario, mas faltou-me o animo. Embaixo arrependi-me de o não ter feito. Recapitulei a conversação, achei-me atado e incerto; elle pareceu-me, além de frio, sobranceiro. Vagamente, senti alguma cousa mais. O seu aperto de mão tanto á entrada, como á saida, não me déra a sensação do costume.

Na noite desse dia, Barreto veiu ter commigo, atordoado com a noticia da manhã, e perguntando-me o que sabia; disse-lhe que nada. Contei-lhe a minha visita da manhã, a nossa conversação, sem as minhas suspeitas.

—Póde ser engano, disse elle, depois de um instante.