—Pois ainda bem, replicava a noiva; ao menos, não caso com defunto.

—Não, defunto não; mas é que...

Não diziam o que era. Tia Monica, depois do casamento, na casa pobre onde elles se foram abrigar, falou-lhes uma vez nos filhos possiveis. Elles queriam um, um só, embora viesse aggravar a necessidade.

—Vocês, se tiverem um filho, morrem de fome, disse a tia á sobrinha.

—Nossa Senhora nos dará de comer, acudiu Clara.

Tia Monica devia ter-lhes feito a advertencia, ou ameaça, quando elle lhe foi pedir a mão da moça; mas tambem ella era amiga de patuscadas, e o casamento seria uma festa, como foi.

A alegria era commum aos tres. O casal ria a proposito de tudo. Os mesmos nomes eram objecto de trocados, Clara, Neves, Candido; não davam que comer, mas davam que rir, e o riso digeria-se sem esforço. Ella cosia agora mais, elle saía a empreitadas de uma cousa e outra; não tinha emprego certo.

Nem por isso abriam mão do filho. O filho é que, não sabendo daquelle desejo especifico, deixava-se estar escondido na eternidade. Um dia, porém, deu signal de si a creança; varão ou femea, era o fructo abençoado que viria trazer ao casal a suspirada ventura. Tia Monica ficou desorientada, Candido e Clara riram dos seus sustos.

—Deus nos ha de ajudar, titia, insistia a futura mãe.

A noticia correu de visinha a visinha. Não houve mais que espreitar a aurora do dia grande. A esposa trabalhava agora com mais vontade, e assim era preciso, uma vez que, além das costuras pagas, tinha de ir fazendo com retalhos o enxoval da creança. Á força de pensar nella, vivia já com ella, media-lhe fraldas, cosia-lhe camisas. A porção era escassa, os intervallos longos. Tia Monica ajudava, é certo, ainda que de má vontade.