Se eram boas as impressões que Yayá lhe deixara nos ultimos dias, não eram ainda assim isentas de algum enfado, aliás passageiro. Uma ou duas vezes, Yayá lhe pareceu singularmente aspera, e sem motivo nem duração. Esses assomos porém, eram logo compensados por uma afabilidade, que parecia mais viva, mais ruidosa, talvez um pouco importuna. Occasião houve em que Estella disse á enteada, com um sorriso de reprehensão:—Não amofines o Sr. doutor Jorge. Não comprehendeu Jorge porque motivo essa palavra simples, dita em tom brando, deu ao rosto de Yayá uma expressão indignada; lembrava-se porém que a expressão foi passageira, e que ella passou do singular amúo á habitual alegria:—Bem vê, replicou Estella, bem vê que é uma creança.
Jorge ia assim a reflectir, e já de volta, quando ouviu uma voz que dizia o seu nome. Era Yayá que descia da casa da velha ama. Jorge parou o cavallo.
—Em que vae pensando? disse ella.
—Na senhora, respondeu o moço affoutamente, depois de verificar que ninguem os podia ouvir.
Yayá caminhou até á rua, acompanhada de um homem velho, o irmão de Maria das Dores.
—Que anda fazendo aqui? continuou Jorge inclinando o busto sobre o pescoço do cavallo.
—Vim visitar a Maria das Dores. Coitada! esta tão abatida!
—Bem; eu logo lhe direi o que é; vá ver a doente.
—Já a vi; volto agora para casa. O Sr. João vae acompanhar-me.
Jorge apeou-se.