—Anda! chucha mais estes!
Quando os operarios se approximavam, de prato na mão, Ivan Goussef ria com estrondo; Pélagué suspendia a faina de passar os folhetos, deitava nos pratos sopa de hervas ou de aletria, emquanto Vassili lhe dirigia gracejos.
—Olhem que é muito habil, a tia Pélagué!
—A miseria até nos ensina a apanhar ratos... disse em tom sorna um fogueiro. Tiraram-lhe aquelle que lhe dava o pão... Canalhas! Pois venham de lá tres kopecks d’aletria. Coragem, boa velha! Tudo ha de acabar em bem!
—Obrigado por essa consolação! respondeu ella sorrindo.
Ao que elle retorquiu afastando-se:
—Não me custa nada!...
—Mas não vejo a quem ella aproveite! replicou um ferreiro, rindo.
E acrescentou, encolhendo os hombros:
—É isto a vida, rapazes! Ninguem a quem dirigir com proveito palavras de consolação... ninguem é digno d’ellas... não achas?