—Até que houve um homem que não achou antipatico esse feito! E eu que me preparava para torcer-lhe o pescoço!...
—Não digas essas coisas, companheiro!
Pélagué interveio:
—És bom e tens sempre palavras tão crueis!... Para quê?
Era-lhe então agradavel tornar a vêl-o; o seu rosto bexigoso chegava até a parecer-lhe bonito; sentia mais piedade por elle.
—Eu não sirvo para nada, senão para taes emprezas! Pergunto constantemente qual é o meu logar. Não o encontro. Se é preciso falar... não sei... Vejo tudo, sinto todas as humilhações dos homens, e não posso exprimil-as. Tenho uma alma muda. Irmãos, dêem-me um trabalho penoso, seja qual fôr. Não posso viver assim, sem fazer nada em favor da nossa causa.
Pavel pegou-lhe n’uma das mãos.
—Havemos de pensar em ti, descansa.
—André disse lá da cama:
—Ensinar-te-ei a conhecer as letras d’imprensa, e serás um dos nossos compositores; queres?