—Vieram; revolveram tudo; até me apalparam. Essa gente não tem consciencia nem pudor!

—E porque o haviam de ter? retorquiu Nicolao com um encolher d’hombros; e logo lhe expoz as razões por que era conveniente que ella passasse a residir na cidade.

A outra escutava aquella voz amiga, cheia de sollicitude, fitava aquelle rosto de resignado sorriso e sentia-se admirada da confiança que tal homem lhe inspirava.

—Uma vez que o Pavel assim decidiu, e se não o incommodo... disse.

—Não pense n’isso, interrompeu elle logo. Vivo sósinho, minha irmã só raramente apparece...

—Mas é que eu quero trabalhar, quero ganhar o meu sustento!

—Pois se quer trabalhar, ha de se lhe encontrar trabalho, descanse!

Para ella, a idéa do trabalho relacionava-se indissoluvelmente com a especie de actividade a que se entregavam seu filho, André e os mais companheiros. Approximou-se de Nicolao e perguntou-lhe fitando-o muito:

—Parece-lhe?...

—Pois está claro! A casa não é grande, e quando a gente vive só...