—Se faz! e muito, lá pelos campos; uma ventania!...

Tinha a voz pastosa, clara; a bôca era pequena e redonda; e toda ella era gorducha e cheia de frescura. Depois de tirar a capa, esfregou energicamente as faces coradas com as mãosinhas avermelhadas pelo frio; e, passeando pelo quarto com passos rapidos, batia no sobrado com os tacões.

—Não tem galochas de borracha! pensou Pélagué.

—Que frio! E arrastando muito as palavras: Estou entorpecida! gelada!

—Vou já, já, preparar o samovar! disse rapidamente a dona da casa.

E saíu para a cozinha.

Dir-se-ia que conhecia aquella rapariga de ha muito tempo e que a estimava como sua filha. Estava satisfeita por vêl-a; vindo-lhe á ideia os olhos pardos e piscos do russo-menor, sorriu satisfeita tambem; prestou attenção á conversa.

—Porque está triste, André? perguntou a rapariga.

—Porque sim! A viuva tem um olhar bondoso e lembra-me que talvez seja como o da minha mãe... Penso muito na minha mãe, sabe? Parece-me sempre que ella vive.

—Ouvi-lhe dizer que ella tinha morrido...