—Quem é esse Pavel? interrogou o velho, tomando logar n’um banco.
—É o meu filho.
—Qual é o nome da familia?
—Vlassof.
Elle abanou a cabeça, puxou pela bolsa do tabaco e, emquanto enchia o cachimbo:
—Tenho ouvido falar. O meu sobrinho conhece-o. O meu sobrinho tambem está na cadeia; chama-se Evetchenko. Conhece? Eu chamo-me Gadoune. D’aqui a pouco, está na cadeia! Então é que a gente ha de viver feliz e socegada, nós, os velhos! Um, da policia, prometteu que me havia de pregar com o sobrinho na Sibéria... E ha de cumprir a promessa, o excommungado!
Entrou de fumar, escarrando para o chão de vez em quando.
—Ah! ella não quer? continuou, virado para o rapaz. Isso é com ella!... O homem é livre! Quem está cansado, que se sente; quem estiver cansado de estar sentado, passeie!... Quem fôr roubado, que se cale; quem fôr tosado, soffra com resignação! E se o matarem, que se deixe caír!... Sempre é certo isto. Mas eu cá hei de fazer saír o meu sobrinho da cadeia. Olá, se hei-de!...
Estas expressões incisivas, parecidas com latidos, tornaram Pélagué perplexa. As ultimas palavras do velho haviam até excitado n’ella uma tal ou qual inveja.
Pela rua fóra, ao vento gélido e á chuva, ia pensando no Vessoftchikof.